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Cooperação Técnica entre cooperativa baiana e universidade de Pernambuco tem o Licuri como objeto de pesquisas; Correntina, Jacobina e Morro do Chapéu estão entre as cooperativas

Sexta-feira, 22 de Maio de 2020 / Região

Licuri e Inovações Sustentáveis com promissora cadeia produtiva de valor fitoterápico e fitocosmético como uma forma de alavancar a bioeconomia do Nordeste. Esse é o título do projeto de pesquisa que está sendo executado por meio do Termo de Cooperação Técnica firmado entre a Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes) e a Universidade Federal do Pernambuco (UFPE). A iniciativa visa como resultado a consolidação do licuri na bioeconomia do Nordeste.

A gestora do convênio Alianças Produtivas da Coopes, Renata Silva, avalia que essa parceria é de grande relevância para a cooperativa: "Dentro dessa perspectiva, vemos a UFPE como uma instituição que irá fomentar pesquisa para o desenvolvimento de novos produtos e, consequentemente, a consolidação do licuri no mercado. Percebemos o interesse da universidade de desenvolver produtos que se relacionem com o bioma Caatinga".  

A gestora ressalta que o objetivo é mostrar que o licuri não é apenas um coco pequeno, mas que, com o extrativismo do licuri, tem-se a possibilidade de desenvolvimento de uma gama de produtos, seja na área da alimentação, cosméticos ou na área de farmacêutica: "A gente pode trabalhar a utilização sustentável desses bioprodutos”. 

O Termo de Cooperação tem o cronograma, com objetivos específicos, previsto para ser executado em paralelo ao período de execução, na Coopes, do edital Aliança Produtiva, do Bahia Produtiva, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), a partir de acordo de empréstimo com o Banco Mundial.

Bioeconomia no Nordeste

Marcia Vanuza da Silva, professora do Centro de Biociência, Departamento de Bioquímica da UFPE, explica que ações como essa vêm sendo desenvolvidas como forma de alavancar a bioeconomia no Nordeste, que possui uma rica biodiversidade, ainda pouco valorizada: "A Caatinga vem chamando atenção pela biodiversidade, e dentro desse cenário, destacando a syagrus coronata, uma planta endêmica, exclusiva do bioma Caatinga, ainda pouco explorada, do ponto de vista científico. Do ponto de vista das comunidades tradicionais essa planta já tem diversos usos, como para inflamações, cicatrização e hidratação, mas ainda é muito escasso no mercado de produtos da biodiversidade brasileira e menos ainda a nativa, que é essa onde se encontra o licuri". 

A professora salienta que diante desse cenário da bioeconomia e de geração de renda nas comunidades, é necessário validar o uso popular desses bioprodutos, além da valorizar e agregar valor ao licuri, para, a partir do óleo, extraído, desenvolver novos bioprodutos para fins cosméticos e medicamentos, a fim de proporcionar ao país um portfólio de uma espécie nativa. O objetivo é transferir essa tecnologia para a Coopes.

No âmbito da cooperação técnica já estão sendo realizadas análises químicas, físicas e de estabilidade desse óleo e análise da segurança do seu uso, que será preconizado pelos testes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de avaliar o seu potencial, quanto ao valor medicinal, tais como atividade antioxidante, antimicrobiana, anti-inflamatória, antidiabético, cicatrizante, antitumoral, antiartrite, antidor e no tratamento de transtornos neurológicos, como uma possibilidade no tratamento de Alzheimer, por exemplo.

Outro objetivo do projeto é potencializar a realização de formulações para fitocosméticos, dentre eles, enxaguantes bucais, cremes dentais, tratamento de lesões acometidas pela bactéria que causa acne e fotoprotetores solares, além de formar profissionais em nível de pós-graduação, na área de desenvolvimento de bioprodutos, a partir da biodiversidade brasileira: "Pretende-se, a partir da criação desses novos produtos, patentear essas inovações com uma biodiversidade nativa e exclusivamente brasileira, abrindo possibilidade de geração de renda com a abertura de novos mercados, valorizando o conhecimento popular, validado pelo conhecimento científico e colocando o Brasil nesse viés de bioeconomia, a partir da sua biodiversidade", salienta Marcia Vanuza.

Investimentos na cooperativa

Por meio do projeto Bahia Produtiva, o Governo do Estado está investindo na Coopes aproximadamente R$3,9 milhões. Os recursos  estão sendo aplicados na construção de um galpão para armazenamento de licuri com equipamentos, implantação de uma unidade simplificada para produção de licuri, aquisição de câmara fria, equipamentos e utensílios, kit colheita de licuri para 40 famílias, identidade visual, painel solar, um caminhão com capacidade para 14 toneladas, uma moto, um veículo utilitário e quatro galpões para estocagem.

A cooperativa conta, atualmente, com 225 famílias de cooperados, sendo 80% mulheres, de 30 comunidades, dos municípios de Quixabeira, Capim Grosso, São Jose do Jacuípe, Correntina, Jacobina, Mairi, Morro do Chapéu, Nordestina, Piritiba, Serrolândia, Várzea da Roça e Várzea do Poço, gerando impacto na vida de cerca de 1.000 famílias.  


Blogbraga/SDR Assessoria de Comunicação

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