Solidariedade
Solidariedade que cura: como o ato de doar melhora a saúde emocional
Fonte: Repórter Paiva/ Hospital do Oeste
03/03/2026
Histórias de doadores e voluntários das Obras Sociais Irmã Dulce demonstram como a generosidade contribui para o bem-estar de quem doa
Doar transforma vidas e não apenas de quem recebe. Estudos científicos comprovam que a prática da solidariedade gera benefícios diretos à saúde mental de quem doa, contribuindo para a redução do estresse, da ansiedade e dos sintomas depressivos, além de aumentar a sensação de felicidade, pertencimento e propósito de vida. Entre as muitas formas de doação, a exemplo de bens ou de tempo, esses efeitos são vivenciados diariamente por voluntários e doadores das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), instituição filantrópica localizada em Salvador.
Pesquisas em neurociência indicam que atos de generosidade ativam o sistema de recompensa do cérebro, estimulando a liberação de dopamina, serotonina e ocitocina, neurotransmissores associados ao prazer, ao bem-estar emocional e ao fortalecimento dos vínculos sociais. Um estudo da Harvard Business School revelou que pessoas que gastam dinheiro com os outros são, em média, 20% mais felizes do que aquelas que gastam apenas consigo mesmas. Já uma pesquisa publicada no Journal of Happiness Studies aponta que indivíduos que praticam ações solidárias regularmente apresentam até 43% menos sintomas depressivos.
Um exemplo é a experiência de Cláudia Canguçu. Voluntária da OSID há pouco mais de um ano, ela encontrou no voluntariado uma forma de enfrentar um dos períodos mais difíceis da sua vida: o adoecimento e a perda da mãe, diagnosticada com Alzheimer. Atuando principalmente no Centro Geriátrico da instituição, Cláudia desenvolve atividades cognitivas, recreativas e afetivas com idosos, criando vínculos que beneficiam não apenas os pacientes. “A gente doa tempo, atenção, carinho, escuta. Mas recebe muito mais em troca: afeto, aprendizado, conexão humana e propósito. Eu posso dizer que ser voluntária aqui também me salvou emocionalmente”, afirma.
Natural de Franca (SP), a aposentada Ieda Vieira participa de ações solidárias desde os primeiros anos de vida, na companhia da avó. Depois de adulta, passou a acolher crianças carentes através do programa paulistano Família Acolhedora, experiência que abraçou durante 13 anos e que a ajudou a superar a chamada síndrome do ninho vazio. “Os filhos saírem de casa para construírem as suas vidas é algo natural, mas como mãe muitas vezes isso pode ser desafiador. Ajudar a quem precisa, principalmente crianças, me ensinou muito sobre a vida”, explica. Hoje sócio-protetora das Obras Sociais Irmã Dulce, Ieda enxerga na instituição uma forma de continuar praticando a solidariedade: “doar faz um bem enorme para a alma”.
Caminho para o equilíbrio - De acordo com a psicóloga Táffate Coura, que atua nas Obras Sociais, o ato de doar fortalece sentimentos essenciais para a saúde mental. “Doar promove pertencimento, gratidão, empatia e propósito de vida, fatores fundamentais para o equilíbrio emocional. Muitas vezes, ajudar o outro é também uma forma poderosa de ajudar a si mesmo”, explica. Ela ressalta que, quando o doador conhece de perto a realidade de quem recebe, esse impacto é ainda mais potencializado. “Entender para onde a doação vai amplia a consciência social, gera conexão humana e produz transformações profundas no modo de pensar, sentir e agir.” A profissional explica, ainda, que o engajamento solidário estimula reflexões sobre as próprias necessidades e contribui para uma visão mais humana e coletiva da sociedade.
Panorama brasileiro - Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 7,2 milhões de pessoas realizam trabalho voluntário no país, número que vem aumentando nos últimos anos. O anuário Pesquisa Doação Brasil, realizado pelo Instituto para o Desenvolvimento Sociais (IDIS), classifica os doadores em diferentes tipos: doadores em geral, que fizeram qualquer tipo de doação; doadores de bens; doadores de tempo; doadores institucionais e doadores emergenciais. A IDIS também aponta que, em 2024, 78% dos brasileiros com mais de 18 anos e com renda familiar acima de um salário mínimo fizeram algum tipo de doação, reforçando a importância do engajamento individual.
Amar e Servir – Fundadas por Santa Dulce dos Pobres, as Obras Sociais Irmã Dulce acolhem mais de 3 milhões de pessoas por ano na Bahia, incluindo idosos, pessoas com deficiência, pacientes oncológicos, pessoas em situação de rua, crianças e adolescentes em situação de risco social, usuários de substâncias psicoativas, entre outros públicos. A OSID abriga hoje um dos maiores complexos de saúde do Brasil com atendimento 100% gratuito, com mais de 4 milhões de procedimentos ambulatoriais realizados por ano na Bahia. Para continuar cuidando de quem mais precisa, a casa da Mãe dos Pobres conta com a ajuda de toda a sociedade. Doações em apoio ao legado de amor e serviço do Anjo Bom do Brasil podem ser feitas através do endereço doe.irmadulce.og.br ou do telefone (71) 3316-8899 - de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h30.